Para os fãs do Chico

  • http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2004/09/040903_chico2mtc.shtml
  • http://observer.guardian.co.uk/review/story/0,6903,1263678,00.html

    Escrito por Carla di Cologna às 18h13
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  • Poemeto

    Escrevo versos, escrevo cartas.
    E-mails, bilhetes, artigos, matérias.
    Crônicas e cantos.
    Hoje, para estréia no blog da Fê, escrevi um poemeto.
    Na tradução coloquial, um pequeno poema.
    Bobo, mas sincero.

    Ei-lo:

    O mundo é incongruente
    Sem direções, é cheio de cacoetes

    Perene, não tem piedade
    De nós, que somos apenas entes

    Inconseqüentes
    Não liguemos para os presentes

    Sejamos, sempre, dementes!



    Escrito por Carla di Cologna às 11h54
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    ***Nova Fase*****

    Olá,

     Aguardem: novidades!



    Escrito por Fernanda Grigolin às 20h12
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    Clarice Lispector!!!!

    Hoje eu estou meio conturbada, pensando demais em pessoas que nem vejo mais... Na real, um homem que trabalhou comigo há alguns anos, fui apaixonada e nunca esqueci... Pra alimentar mais aindaaaa esse bodão: Clarice Lispector, a mais eu das escritoras...

    "Por não estarem distraídos". 
    Conta a história de um casal que estava muito feliz passeando juntos na rua. E eles ficam infelizes uma hora e
    tudo dá errado, "porque eles não estavam mais distraídos".  "Até que tudo se transformou em um não. Então, a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas..." E ela vai mais longe: "Tudo porque quiseram dar um nome. Tudo porque quiseram ser, eles que já eram." "Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos."
     

    Mais Clarice:

     

    "Passei a vida tentando corrigir os erros que cometi na minha ânsia de acertar. Sem me surpreender não consigo escrever. E também porque, para mim, escrever é procurar. Escrever é tantas vezes lembrar-se de que nunca existiu.
    A repetição me é agradável, e a repetição acontecendo no mesmo lugar termina cavando pouco a pouco.
    Ela estava enfim livre de si e de nós. Não vos assusteis, orrer é um instante, passa logo, eu sei porque acabo de morrer com a moça.

    É melhor eu não falar em felicidade ou infelicidade - provoca aquela saudade demasiada e lilás, aquele perfume de violeta, as águas geladas da maré mansa em espumas de areia. Eu não quero provocar porque dói. (A dor do escritor, a do narrador, a do leitor, a do homem enfim. A dor da condição de existir e escrever.)

    Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta, continuarei a escrever. (a necessidade de escrever para compreender, porque há perguntas para as quais não há resposta.)

    Tentarei tirar ouro do carvão. Sei que estou adiando a história e que brinco de bola sem bola. O fato é um ato? Juro que este livro é feito sem palavras. é uma fotografia muda. Este livro é um silêncio. Este livro é uma pergunta".
     
    "Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."
     
    "É difícil perder-se. É tão difícl que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo."  
    "A salvação é pelo risco, sem o qual a vida não vale a pena"
    "Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre ia ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia."
     
    "Minha forma interna é finamente depurada e no entanto o meu conjunto com o mundo tem a crueza nua dos sonhos livres e das grandes realidades. Não conheço a proibição. E minha própria força me libera, essa vida plena que se me transborda. E nada planejo no meu trabalho intuitivo de viver: trabalho com o indireto, o informal e o imprevisto."
     
     
     


    Escrito por Nina Grigolin às 10h38
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